(fragmento)
(...)
Num relicário sobrevive um pouco dela
Tateio, com cuidado o abro
Explosão de cores, odores
Os lenços dela (...)
(...)
Que eu nunca soube
(...)
Abria gavetas que o destino emperrou
Procurava o cheiro dela
Fragrância que ninguém inventou
Era só dela
(...)
Os lenços eu não sabia
(...)
A gaveta desliza, destrava
Com o unguento oleoso do passado
(...)
Os lenços crescem, perfumados, em mil cores
O cheiro dela
(...)
Neles me envolvo e pra ela danço
As paredes se espelham
Refletem meu rosto que se mistura ao dela
(...)
Se está aqui, se me vê
Quem sabe não sorri pra mim
Enfim
(continua)
Jane Costa de Souza autor
Jane Costa de Souza autor
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