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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

 

Eu não leio cartas esotéricas, não jogo búzios, não vejo coisas em bolas de cristal.

Eu leio vidas.

Sou um ladrão de ideias.  Transformo-as em outras ou as continuo. 

Talvez crie novas.

Sou parte da memória coletiva dos poetas, escritores, cronistas, críticos de todas as artes, de todas as políticas, historiadores, filósofos, jornalistas, repórteres, colunistas sociais, letristas, repentistas, novelistas.  Ah, não escapam os que revelam pensamentos intrigantes, inteligentes,  inéditos.  Não escapam os ladrões de atenção, nas esquinas, nas calçadas, nos portões, nos telefones, nos ambientes fechados.  Sejam fofoqueiros, pedintes, velhos solitários mendigando uma palavrinha. Sejam doentes na cama do hospital ou tomando sol na praça, caixas do comércio, de saco cheio com a monotonia de suas vidas, precisando falar delas. Eu os “leio” todos, nos livros, nos gestos, nas palavras ditas, nas “contarias” e não me contenho em invadir o que não escrevem e fazê-lo eu. 

Talvez eu provoque sentimentos diversos ou nenhum, com minha arquitetura de palavras.

Sou um ser único, sou um ser múltiplo, moldado em massa que não endurece, que se transforma na composição modificada pela adesão de outras.

Sou um plagiador que não pode ser condenado.

Jane Costa de Souza  autot

Veersando em Prosa e Verso, pode ser adquirida na Amazon/Kindle, submarino, Americana, na forma e.book ou física.

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