Crítico, risível, versátil
Toca, dança, engole fogo
Em ironia é hábil
O tolo, o bobo da corte
Ri com gosto dos que dele
riem
Pensam que é de si o escárnio
Diverte-se com a ignorância
alheia
O palhaço sábio
Gargalha na cara deles
Dos idiotas enfeitados
Bobo de muitas cortes de
reinos falidos
Cansou de pintar a máscara na
cara
Pela última vez a esfregou
com força
Olhou-se
Nunca mais se vira
Não mais se sabia
Ninguém nunca o soubera
Refestelou-se na plateia
Livre, sem dar daquele dia o
espetáculo
Todos esperaram a diversão
Todos esperaram o infeliz
Teria morrido em alguma
cortina enrolado?
Era preciso um outro arlequim
O que fazer dos ovos que lhe
jogavam ao fim?
Aturdidos, os nobres, as
damas se perguntavam
O que agora fazer em suas
noites inúteis?
Ele mostrava-se consternado
Saiu cabisbaixo, fingindo ser
um deles
Na rua, sai piruentando no chão
de estrelas
A lua admirando tanta
habilidade
Podia agora rir de verdade
E como ria o tolo sábio
Com a cara que não conheciam
Mas que era sua
Sempre fora
Jane Costa de Souza (autor) MINHA POESIA EM PROSA E VERSO blogspot
JANE COSTA DE SOUZA facebook autor
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