Passageiro, complexo
Tudo
Foge à compreensão e dá rasteira
O astuto, o vilão
O espiritualista, o padre, o monge, o pastor
Mentirosos calados ou prolixos
Raro o que supera a
humana visão egoísta
Ao negar nossa imutável
essência dualista
Consegui finalmente chegar a este consenso:
O que dói, o que sofre e lamenta é meu ser intenso
Material, concreto, pesado, vulnerável
Algumas vezes
Passeio na ponte, olho para trás, tudo denso
Resta-me prosseguir à procura do impalpável
E me vejo: leve, fluídica, transcendental
Eu sou incorpórea, flutuo como leve lenço
Nada é mal ou triste, pequeno ou monumental
Daí observo um outro
eu, o que era eu, mas ficou lá atrás
Onde a carcaça inútil de nada vale mais
Olhos meus, dois, vêem:
sou luz translúcida, autêntica
Eu sou de verdade, una, inteira, contente, plena
Temor, medo,
conflito, tudo é pura arte cênica
Eu sou perdão, gratidão, aceitação, limpa, lúdica
Reorganizo minhas idéias, não mais dúvidas
Não há mais angústia, dualidade, nem culpa
Ou melhor, nenhuma
culpa, pois não sou mais duas
Algumas vezes
JANE COSTA DE SOUZA facebook autor
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